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| Imagem: SecultPa |
A Prefeitura de Paulo Afonso decidiu transformar o evento Oxente Cangaço em vitrine de identidade cultural e, ao mesmo tempo, em palco de afirmação política. A iniciativa, realizada nos dias 24 à 29 de março, trouxe exposições, palestras e feira de artesanato, reunindo artistas locais e pesquisadores da história nordestina. O discurso oficial é de valorização da cultura sertaneja, mas nos bastidores a leitura é clara, o governo municipal usa o evento para reforçar sua imagem junto à população.
O Oxente Cangaço não é apenas uma celebração folclórica. Ele resgata a memória de figuras como Lampião e Maria Bonita, símbolos de resistência e contradição, e coloca Paulo Afonso no mapa cultural da Bahia. A escolha de investir pesado no evento revela uma estratégia de ocupar espaços simbólicos, em um momento em que a política local enfrenta críticas sobre gestão e transparência. Cultura, aqui, é também narrativa de poder.
A população comparece, e a atmosfera é de festa misturada com reflexão. Enquanto artesãos exibem suas peças e pesquisadores discutem a história do cangaço, lideranças políticas circulam entre os estandes, reforçando alianças e marcando presença. O evento, portanto, funciona como vitrine dupla, de identidade cultural e de articulação política. O que parece apenas celebração popular se revela um campo de disputa por legitimidade.
O impacto é imediato, e Paulo Afonso ganha visibilidade regional, e a prefeitura se coloca como guardiã da memória sertaneja. O Oxente Cangaço mostra que, em tempos de desgaste institucional, a aposta na tradição pode ser tão estratégica quanto qualquer discurso eleitoral.

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