Mas Copacabana mudou. Se antes os vendedores gritavam “milho, água, queijo assado!”, hoje disputam espaço com carrinhos de som eletrônico, com capas de celulares à venda, com mulheres fazendo tranças improvisadas nas cabeças das gringas. O mar continua o mesmo, mas o barulho da areia parece mais confuso, mais cheio de pressa. Eu queria ouvir apenas o som das ondas, aquele vai e vem que sempre me lembrava que a vida é feita de ciclos, mas a praia agora é palco de uma multidão que não para de inventar novidades.
E no meio desse tumulto, quem reina é ele, o pombo. O verdadeiro dono de Copacabana. Passa por baixo das cadeiras, cata migalhas esquecidas, abre as asas com imponência e mostra o verde brilhante do pescoço como quem exibe uma coroa. Não pede licença, não se intimida. Enquanto todos correm atrás de alguma coisa, ele apenas vive o momento, arrulhando para as fêmeas, tentando conquistar um amor simples, sem contratos, alianças e nem promessas.
Olho para ele e penso que talvez seja isso que me faltava reencontrar, a liberdade de não precisar provar nada. Nos anos 80 eu era rato de praia, corria para o mar como quem corre para a vida. Hoje, mais velho, observo o pombo e percebo que a juventude não está apenas nas lembranças, mas na capacidade de ainda se encantar com o banal. O Rei do Rio me ensina que a beleza de Copacabana não está só nas ondas ou no calçadão, mas na persistência de continuar sendo palco de histórias, mesmo quando tudo muda ao redor.
Copacabana continua linda, mesmo com seus excessos, suas cadeiras ocupando cada pedaço de areia e seus sons misturados. Porque a beleza não é só paisagem, é memória. E quando o pombo levanta voo, eu sinto que também levanto junto, carregando comigo o passado e o presente, unidos pela mesma praia que nunca deixou de ser meu lugar favorito.

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