A edição do Diário Oficial de Paulo Afonso, publicada em 29
de julho de 2026, trouxe uma série de decretos assinados pelo prefeito Mário
César Barreto Azevedo, conhecido como Mário Galinho. Entre eles, o mais
impactante foi o Decreto nº 1759, que declara situação de emergência no
município devido à estiagem severa que assola a região desde janeiro deste ano.
Segundo o documento, Paulo Afonso registrou apenas 305 mm de chuva no primeiro semestre de 2026, o menor índice dos últimos anos. A seca já provocou perdas superiores a 95% na safra de sequeiro e prejuízos econômicos estimados em R$ 19,2 milhões no setor pecuário. Além disso, as reservas hídricas estão praticamente esgotadas, obrigando a prefeitura a gastar mais de R$ 2,2 milhões em ações emergenciais de abastecimento por carros-pipa.
“A persistência do déficit hídrico inviabiliza a recuperação
das pastagens nativas e cultivadas, bem como a recarga dos mananciais”, aponta
o decreto.
Apesar da gravidade da situação, o decreto abre espaço para
dispensa de licitação em compras e contratações emergenciais, com validade de
180 dias. Essa medida, embora prevista em lei, levanta preocupações sobre falta
de transparência e risco de favorecimento político, já que contratos
emergenciais podem ser usados para beneficiar empresas próximas ao poder.
Enquanto a população rural enfrenta escassez de água e
perdas irreparáveis, o mesmo Diário Oficial trouxe outros decretos que chamaram
atenção pela desconexão com a crise, a nomeação de novos cargos comissionados, em
meio ao colapso agropecuário e social.
A postura de Mário Galinho tem sido vista como insensível e
oportunista. Em vez de priorizar soluções estruturais para enfrentar a seca, o
prefeito aposta em medidas paliativas e abre brechas para contratações sem
licitação. Ao mesmo tempo, mantém a prática de nomear aliados políticos para
cargos de confiança, reforçando a percepção de que a máquina pública está sendo
usada mais para sustentar acordos políticos do que para atender às necessidades
urgentes da população.
Em um momento em que milhares de famílias sofrem com a falta
de água e alimento, a gestão municipal parece mais preocupada em blindar
interesses próprios do que em oferecer respostas concretas à crise. A
decretação da emergência, longe de ser apenas um ato administrativo, expõe a
fragilidade da administração e a falta de planejamento para enfrentar os
desafios históricos do semiárido.

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