A última vez que chorei pela seleção brasileira foi em 1982. Era um choro de quem acreditava que o futebol podia ser poesia, que cada passe carregava a alma de um povo. Aquela seleção jogava com amor à camisa, com a leveza das peladas em campos de terra batida, com a magia que nascia nas quadras improvisadas e se espalhava pelo Brasil.
Depois disso, o que se viu foi uma dispersão de meninos, inda
com cheiro de infância, ainda com marcas da fome e da luta, vendidos como
mercadoria para clubes europeus. Saíram das favelas, das cidades pequenas, dos
cantos esquecidos do interior, e de repente se tornaram milionários. O salto
foi tão brusco que muitos preferiram apagar o passado, como quem fecha os olhos
diante do espelho para não se reconhecer.
Nas mansões frias, nos carros reluzentes, nos contratos
milionários, eles se tornaram estrangeiros de si mesmos. Passeiam pelas ruas de
outros países como se fossem deles, desfilam em treinos como se o Brasil fosse
apenas uma lembrança distante. Não jogam por nós, não jogam por amor. Jogam por
cifras, por cláusulas, por bônus.
Enquanto lágrimas escorrem pelo rosto dos torcedores, é
preciso lembrar que aquele futebol de paixão ficou para trás. Não existe mais o
amor à camisa, não existe mais o brilho inocente de quem joga por orgulho.
Existe o mercado, existe o espetáculo, existe a frieza dos contratos.
E é por isso que digo a vocês, não chorem por eles. Chorem,
se quiserem, pelo Brasil que já não se vê em campo. Chorem pela saudade de um
tempo em que o futebol era nosso, era festa, era vida. Mas por eles, não. Eles
já não nos pertencem.

Postar um comentário