O Ministério Público do Estado da Bahia instaurou o Inquérito Civil nº 705.9.612336/2025 para apurar possíveis práticas de nepotismo na Prefeitura Municipal de Paulo Afonso, sob a gestão do prefeito Mário César Barreto Azevedo. A investigação foi aberta pela promotora de Justiça Milane de Vasconcelos Caldeira Tavares, após representação feita por Patricya Silva, que apontou a nomeação de parentes e pessoas próximas do prefeito, vice-prefeito e secretários municipais em cargos comissionados e funções gratificadas. A portaria foi publicada no dia 27 de maio de 2026 e fundamenta-se nos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa.
De acordo com o documento, o Ministério Público considera
que a nomeação de cônjuges, companheiros ou parentes até o terceiro grau para
cargos de confiança ou comissão viola a Constituição Federal e a Súmula
Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal. A promotora ressalta que, mesmo
nos casos de cargos políticos, como secretários municipais, é obrigatória a
comprovação de qualificação técnica e idoneidade moral, sob pena de desvio de
finalidade. A ausência de resposta da Prefeitura às solicitações anteriores do
MP motivou a conversão da notícia de fato em inquérito civil, ampliando o
escopo da apuração.
Entre as determinações imediatas, o Ministério Público
recomendou ao prefeito Mário César Barreto Azevedo que, no prazo de dez dias
úteis, exonere ou rescinda contratos de todos os ocupantes de cargos
comissionados, funções de confiança ou contratos temporários que mantenham
vínculo de parentesco com autoridades municipais. O descumprimento da
recomendação poderá resultar em ações judiciais e caracterização de dolo para
fins de improbidade administrativa. Além disso, o MP requisitou, em até quinze
dias, o envio de cópias dos atos de nomeação, fichas cadastrais e comprovantes
de qualificação técnica dos servidores mencionados na denúncia.
A promotoria também determinou a publicação do extrato de
instauração do inquérito no Diário de Justiça Eletrônico e notificou os
denunciantes sobre o andamento da investigação. O caso reforça a atuação do
Ministério Público na defesa da moralidade administrativa e no combate ao uso
indevido da máquina pública para favorecimento pessoal. A apuração segue em
curso, e o resultado poderá implicar medidas judiciais contra eventuais
responsáveis, caso sejam confirmadas irregularidades na estrutura administrativa
da Prefeitura de Paulo Afonso.

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