Crise na coleta expõe contratos bilionários e ameaça projeto eleitoral da oposição baiana
O caso da Battre, empresa responsável pela coleta de lixo em Salvador, ganhou novos contornos neste fim de semana e colocou o ex-prefeito ACM Neto no centro de uma crise política. A investigação sobre contratos bilionários e supostas irregularidades na gestão da limpeza urbana levou a oposição a se preocupar com os reflexos diretos na imagem do União Brasil. O episódio estourou em 27 de junho, na capital baiana, quando documentos e depoimentos começaram a circular em meio às disputas eleitorais.
A polêmica envolve contratos firmados durante a
administração de Bruno Reis, aliado de Neto, mas a repercussão atinge em cheio
o ex-prefeito, que ainda é visto como principal articulador da oposição no
estado. A suspeita de favorecimento e má gestão nos serviços de coleta e
destinação de resíduos urbanos abriu espaço para críticas do governo estadual e
de adversários políticos, que enxergam no escândalo uma oportunidade de
fragilizar o grupo de ACM Neto.
O impacto imediato é eleitoral. A crise ameaça minar a
narrativa de competência administrativa que a oposição vinha tentando
sustentar. Prefeitos aliados já demonstram preocupação com o desgaste e avaliam
se o caso pode comprometer alianças futuras. Enquanto isso, lideranças do PT e
de partidos da base governista aproveitam o episódio para reforçar o discurso
de que Salvador não é exemplo de gestão, mas sim de problemas estruturais
escondidos sob contratos milionários.
Nos próximos dias, a expectativa é de que novas informações
sejam divulgadas pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas, que
acompanham o caso. Se confirmadas irregularidades, o escândalo pode se tornar
um divisor de águas na política baiana, enfraquecendo ACM Neto e abrindo espaço
para que o governo estadual amplie sua influência. Até lá, o lixo de Salvador
segue como símbolo de uma disputa que extrapola a gestão urbana e ameaça
redesenhar o cenário eleitoral da Bahia.

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