O deputado federal Nikolas Ferreira voltou a causar polêmica
ao defender que pais tenham o direito de não enviar seus filhos à escola. A
proposta, apresentada em discurso recente, sugere que a educação formal deveria
ser uma escolha da família, e não uma obrigação prevista em lei. A fala
repercutiu imediatamente, provocando críticas de educadores, especialistas e
movimentos sociais que enxergam na ideia um retrocesso perigoso para o futuro
do país.
A Constituição brasileira estabelece que a educação básica é
obrigatória e gratuita, justamente para garantir que todas as crianças tenham
acesso ao conhecimento e às oportunidades. Ao propor que pais possam
simplesmente decidir não matricular seus filhos, o deputado ignora décadas de
luta contra o analfabetismo e a exclusão escolar. O Brasil ainda enfrenta
graves desigualdades educacionais, e flexibilizar essa obrigação seria abrir
caminho para que milhares de jovens fiquem à margem da sociedade.
Críticos apontam que a defesa de Nikolas Ferreira não se
sustenta diante da realidade. Em um país onde a evasão escolar já é um problema
crônico, dar aos pais o poder de retirar os filhos da escola seria ampliar o
abismo social. Além disso, especialistas lembram que a educação não é apenas um
direito individual, mas também um dever coletivo, essencial para o
desenvolvimento econômico e democrático. Sem escola, não há cidadania plena.
A proposta escandalosa expõe uma visão que privilegia
discursos ideológicos em detrimento da responsabilidade pública. Transformar a
escola em opção é, na prática, legitimar o analfabetismo e enfraquecer o futuro
de uma geração inteira. O Brasil precisa de mais investimento em educação, não
de brechas legais para justificar a ausência dela. A pergunta que fica é dura,
quem ganha com crianças fora da sala de aula, além da ignorância?

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