A nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, atingiu em cheio o coração político da Bahia e revelou um esquema de corrupção que envolve prefeitos de cidades estratégicas do interior. Segundo informações confirmadas pela PF, os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em municípios como Feira de Santana, Juazeiro, Barreiras e Santo Antônio de Jesus. Entre os investigados estão Colbert Martins Filho (Feira de Santana), Suzana Ramos (Juazeiro) e Zito Barbosa (Barreiras), suspeitos de participação em fraudes financeiras e lavagem de dinheiro ligadas ao Banco Master e ao empresário Augusto Ferreira Lima, também alvo da operação. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e mobilizou agentes em três estados, Bahia, São Paulo e Distrito Federal.
Os investigadores apuram se os prefeitos beneficiaram-se de
repasses e contratos superfaturados em obras municipais financiadas por
instituições ligadas ao sistema financeiro nacional. Documentos apreendidos em
Salvador e Brasília indicam movimentações suspeitas que ultrapassam R$ 20
milhões, envolvendo empresas de fachada e consultorias criadas para drenar
recursos públicos. A PF também investiga a relação entre os gestores e o
senador Jaques Wagner (PT-BA), apontado como articulador político de parte dos
convênios investigados. Wagner, que nega qualquer irregularidade, teria
recebido vantagens indevidas, como um apartamento de luxo em Salvador avaliado
em R$ 2,5 milhões, segundo relatório preliminar.
A operação provocou um terremoto político. Prefeituras
amanheceram com portas lacradas e servidores apreensivos diante da presença de
agentes federais. Em Juazeiro, moradores acompanharam a chegada de viaturas e
helicópteros, enquanto em Feira de Santana o clima era de tensão e silêncio. A
repercussão foi imediata, partidos aliados tentam se distanciar dos
investigados, e lideranças locais falam em “caça às bruxas”. Mas o fato é que a
Compliance Zero expôs o que muitos já suspeitavam, uma teia de corrupção que
atravessa partidos, governos e fronteiras. A Bahia, mais uma vez, vira manchete
nacional não pela força de sua cultura, mas pelo escândalo que promete
redefinir o mapa político do estado.

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