Romeu Zema, pré-candidato à Presidência pelo partido Novo, causou forte repercussão ao defender a flexibilização das leis contra o trabalho infantil durante entrevista no Dia do Trabalhador, 1º de maio de 2026. A fala, que comparou a proibição brasileira à “escravidão de crianças”, gerou críticas de especialistas e entidades de proteção à infância.
A declaração foi recebida com indignação por organizações de defesa dos direitos da infância, que lembraram que o Brasil ainda possui 1,65 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil. Para especialistas, a fala de Zema ignora que o trabalho precoce compromete escolarização, saúde e desenvolvimento. O político, no entanto, insistiu que a proibição atual seria fruto de uma “visão da esquerda” e que pretende mudar a lei caso seja eleito.
No dia seguinte, diante da repercussão negativa, Zema publicou um vídeo nas redes sociais dizendo que se referia a adolescentes, não a crianças. Ainda assim, reforçou que deseja “ampliar oportunidades” para jovens começarem cedo no mercado de trabalho, alegando que a falta de perspectiva abre espaço para facções criminosas recrutarem menores. A justificativa não reduziu a polêmica, já que a legislação brasileira já prevê a figura do jovem aprendiz a partir dos 14 anos.
A fala de Zema, em pleno 1º de Maio, escancarou uma estratégia de campanha que aposta em discursos provocativos para mobilizar setores conservadores. Ao defender o trabalho infantil como alternativa ao crime, o pré-candidato abriu uma frente de debate que promete marcar a corrida presidencial. Mais do que uma proposta, a polêmica expõe a disputa narrativa sobre direitos sociais e o futuro da juventude brasileira

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