Deputado da milícia vira camaleão político e troca de partido em meio ao escândalo



A cena política baiana foi sacudida nesta semana com a notícia de que o deputado estadual, Binho Galinha, preso por suspeita de envolvimento com milícias, decidiu trocar de partido. O parlamentar, que já havia sido alvo de investigações por extorsão, ligação com grupos armados e uso de influência para proteger atividades ilegais, agora busca abrigo em uma nova legenda, tentando se reposicionar no tabuleiro político. A mudança, longe de ser apenas burocrática, expõe a fragilidade das instituições e a facilidade com que figuras marcadas por crimes graves continuam circulando nos corredores do poder.

Os crimes atribuídos ao deputado não são pequenos. As investigações apontam para participação em esquemas de cobrança de “taxas de segurança” em comunidades, envolvimento em grilagem de terras e até apoio logístico a quadrilhas armadas. A prisão, ocorrida após meses de monitoramento, deveria representar o fim de sua carreira política. No entanto, a troca de partido mostra que, mesmo atrás das grades, ainda há quem aposte em sua capacidade de mobilizar votos e manter influência. É o retrato cruel de uma política que insiste em normalizar a presença de criminosos em seus quadros.

A nova legenda que o acolheu tenta justificar a filiação como um ato de “respeito ao devido processo legal”, mas a realidade é que a manobra soa como oportunismo. Ao abrir as portas para um político marcado por acusações tão graves, o partido assume o risco de ser associado diretamente às práticas de milícia. A mensagem passada à sociedade é devastadora, não importa o crime, sempre haverá espaço para quem sabe manipular o jogo eleitoral. Essa lógica perversa mina a confiança do eleitor e reforça a ideia de que a política se tornou refém de interesses obscuros.

O episódio escancara a necessidade urgente de uma reforma política que impeça a perpetuação de figuras ligadas ao crime organizado dentro das instituições democráticas. Enquanto isso não acontece, o eleitor baiano assiste, perplexo, ao espetáculo grotesco de um deputado preso por milícia trocando de partido como se fosse apenas mais uma jogada estratégica. O escândalo, digno das manchetes mais escandalosas do antigo Notícias Populares, revela que a política continua sendo palco de personagens que deveriam estar longe da vida pública, mas insistem em se reinventar para sobreviver

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