O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, revelou em entrevista no dia 1º de março que o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), manifestou interesse em se reunir com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A declaração, feita durante o programa Canal Livre da Band, expôs uma movimentação política que busca aproximar lideranças conservadoras em meio às articulações para as eleições de 2026.
A iniciativa de ACM Neto, porém, é vista por analistas como um erro estratégico. Ao se alinhar com o bolsonarismo, o ex-prefeito corre o risco de reforçar a rejeição que já enfrentou em 2022, quando perdeu a disputa para o governo da Bahia. A aproximação com Flávio Bolsonaro pode afastar setores moderados e progressistas, ampliando a percepção de que Neto busca apoio em um campo político desgastado e marcado por derrotas recentes.
Esse movimento, na prática, fortalece a posição do atual governador Jerônimo Rodrigues (PT), que se beneficia da rejeição ao bolsonarismo no estado. A Bahia continua sendo um dos principais redutos eleitorais do Partido dos Trabalhadores, e qualquer associação de ACM Neto com figuras ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro tende a consolidar ainda mais a base de apoio de Jerônimo. O governador, que já articula alianças locais e nacionais, aparece como beneficiário direto dessa estratégia equivocada do adversário.
O cenário baiano, portanto, mostra que a tentativa de ACM Neto de se aproximar de Flávio Bolsonaro pode acabar sendo um tiro no pé. Em vez de ampliar sua força política, o ex-prefeito corre o risco de se isolar e entregar de bandeja a narrativa da estabilidade e da continuidade ao atual governador. A junção com o bolsonarismo, longe de ser um trunfo, pode se tornar o principal fator que garantirá a reeleição de Jerônimo Rodrigues em 2026.

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