quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Fernanda Melchionna entrega relatório da CPI da Covid à ONU, mas é proibida de discursar

Deputada entregou, em Genebra, uma cópia do relatório da CPI da covid-19 a autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU).

Foto: Najara Araujo/Câmara dos Deputados

A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) entregou na manhã desta terça-feira (27), em Genebra, na Suíça, uma cópia do relatório da CPI da covid-19 a autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU). O documento foi aprovado terça-feira (26) no Senado Federal atribuindo nove crimes a Bolsonaro e pedindo 80 indiciamentos. Participaram da reunião a responsável a responsável pela América Latina no Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, Alicia Londono Amaya e a responsável pelo Brasil no órgão, Isabelle Heyer.

A responsável pela América Latina no Alto Comissariado da ONU, Alicia Londono Amaya, agradeceu a exposição da parlamentar sobre as investigações, disse estar preocupada e atenta com os rumos das investigações no Brasil e saudou a coragem dos defensores dos direitos humanos no país durante a pandemia. No entanto, poucas horas depois da reunião, a deputada foi informada que não poderia usar a palavra durante a reunião do Grupo de Trabalho da ONU, na plenária do Conselho de Direitos Humanos. Ela pretendia denunciar publicamente o governo brasileiro e expor detalhes do relatório da CPI.

A justificativa da secretaria da reunião é que Fernanda Melchionna estaria registrada em nome de uma entidade que não era credenciada. Em outras ocasiões, a presidência autorizou discursos de parlamentares como cortesia em relação a declarações gerais. A secretaria não explica por qual motivo, este ano, a mesma cortesia não foi oferecida. A parlamentar teme que a negativa seja um resultado do lobby da delegação brasileira em Genebra, que em 2019 tentou impedir que ela terminasse o discurso no qual denunciava o governo. Na ocasião, diplomatas do Itamaraty chegaram a bater na mesa com a placa de identificação do país para chamar atenção da presidência.

“Fiquei realmente surpresa. Fui autorizada a falar no primeiro dia do encontro e agora, após entregar o relatório da CPI ao alto comissariado de direitos humanos da ONU, a participação foi vetada. Se isso for resultado de pressão da delegação brasileira, será gravíssimo”, disse a deputada.

Missão oficial em Genebra

Fernanda Melchionna está em Genebra em missão oficial para participar de negociações de mais uma rodada de reuniões do Grupo de Trabalho Intergovernamental de Composição Aberta (OEIGWG, na sigla em Inglês) do Conselho de Direitos Humanos da ONU, para a construção de um Tratado Vinculante das Nações Unidas sobre Organizações Transnacionais em matéria de Direitos Humanos. O convite oficial foi realizado pela organização The Left, que reúne membros de diversos partidos políticos do campo progressista que têm representação no Parlamento Europeu. Na manhã desta segunda-feira (25), Fernanda ressaltou a importância de responsabilizar empresas por violações de direitos humanos e denunciou a gestão desastrosa de Bolsonaro durante a pandemia em discurso na abertura da reunião, realizada na sala do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Na terça-feira (26), a deputada reuniu-se com a relatora especial em violência contra a mulher das Nações Unidas, Reem Alsalem, e com a responsável pelo Brasil no Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, Isabelle Heyer. Na ocasião, a parlamentar reapresentou denúncias encaminhadas pelo PSOL à entidade em ocasiões anteriores para demonstrar preocupação com a situação do país e reforçou a necessidade de uma missão internacional com o objetivo de averiguar a situação da violência contra as mulheres no Brasil e as políticas públicas do governo sobre o tema.

Fonte: Sul 21